Lição 3 – Quando nosso mundo desmorona

VERSO PARA MEMORIZAR: “Se vocês não ficarem firmes na fé, com certeza não resistirão!” (Is 7:9, NVI).
 
LEITURAS DA SEMANA: Is 7
 

Certa vez, num sábado, Connie e Roy estavam chegando em casa após o culto na igreja. Uma pequena galinha voou freneticamente pelo quintal na frente do carro. Algo estava errado. As aves domésticas deveriam estar em segurança no galinheiro, mas haviam saído. Uma investigação rápida mostrava uma tragédia em andamento. Beethoven, o pequeno cachorro do vizinho, também havia escapado do seu quintal e estava próximo do açude, com Daisy na boca. Daisy era uma bela galinha poedeira com penas brancas e macias. Connie resgatou Daisy, mas já era tarde demais. Seu precioso animal de estimação, agora com o pescoço mutilado, logo morreu em seus braços. Ela se sentou no quintal, segurando a ave morta, e chorou muito.

Outro animal de estimação ficou profundamente perturbado. Um pato alto e branco chamado Waddlesworth viu Connie segurando Daisy e possivelmente tenha presumido que ela tivesse matado a galinha. Assim, nas semanas seguintes, sempre que Waddlesworth via Connie, ele a atacava ferozmente, bicando-a dolorosamente com seu bico forte. Às vezes, é difícil descobrir quem são seus amigos e inimigos.

Nesta semana, analisaremos um rei de Judá que também teve esse problema e buscaremos entender por que ele fez escolhas erradas.

Perigo vindo do norte (Is 7:1-9)

1. Qual crise aterrorizante o rei Acaz enfrentou no início de seu reinado? (2Rs 15:37, 38; 16:5, 6; Is 7:1, 2). Assinale a alternativa correta:
 

A.( ) Um ataque de Rezim, rei da Síria, e de Peca, rei de Israel, contra Judá.
B.( ) Um ataque do rei do Egito.

O reino de Israel do Norte (representado por Efraim, uma de suas tribos) e o reino da Síria (Arã) atacaram o reino menor de Judá, ao sul. Isso ocorreu quando Judá estava enfraquecido pelos ataques dos edomitas e dos filisteus. No passado, Judá havia lutado contra Israel, mas uma aliança entre Israel e a Síria apresentava agora um perigo avassalador. Parecia que Israel e a Síria queriam forçar Judá a participar com eles de uma coalizão contra o forte poder de Tiglate-Pileser III, da Assíria (chamado de “Pul” em 2Rs 15:19), que continuava a ameaçá-los com seu império em expansão. Israel e a Síria haviam deixado de lado seu conflito de longa data, diante de um perigo maior. Se eles conseguissem conquistar Judá e instalar ali um “governante fantoche” (Is 7:5, 6), poderiam usar os recursos e a mão de obra de Judá.

2. Qual foi a solução de Acaz quando seu mundo estava desmoronando? 2Rs 16:7-9; 2Cr 28:16

Em vez de reconhecer que Deus era o único que poderia resgatar seu país, Acaz tentou fazer amizade com Tiglate-Pileser III, o inimigo de seus inimigos. O rei assírio atendeu com satisfação seu pedido de ajuda contra a Síria e Israel. Tiglate-Pileser III não apenas recebeu um rico suborno de Acaz, como também obteve uma boa desculpa para tomar a Síria, o que ele prontamente fez (2Rs 16:9). O poder da aliança sírio-israelita foi destruído. No curto prazo, parecia que Acaz havia salvado Judá.

Essa ação por parte de Acaz, no entanto, não devia ser uma surpresa. Ele tinha sido um dos piores reis de todos os tempos a governar Judá até então (2Rs 16:3, 4; 2Cr 28:2-4).

Quando lemos sobre Acaz, entendemos por que ele reagiu ao perigo daquela maneira. Qual é a lição dessa história para nós? Se não obedecemos ao Senhor hoje, o que nos faz pensar que teremos fé para confiar Nele quando vierem as grandes provações? (veja Tg 2:22; Jr 12:5).
 

Tentativa de interceptação (Is 7:3-9)

 

Enquanto Acaz avaliava suas opções para enfrentar a ameaça de Israel e da Síria, Deus permitia que os problemas viessem sobre o rei para ­discipliná-lo e fazê-lo recobrar o bom senso (2Cr 28:5, 19). Embora o pedido de

auxílio a Tiglate-Pileser III parecesse atrativo, isso colocaria o reino davídico de Judá sob domínio estrangeiro, do qual ele nunca poderia se recuperar.

O risco era surpreendentemente alto. Por isso, o Senhor enviou Isaías para interceptar o rei Acaz (aparentemente, enquanto ele estava inspecionando o aqueduto de Jerusalém em preparação para um cerco) a fim de convencê-lo a não entrar em contato com o líder assírio.

3. Por que o Senhor mandou Isaías levar seu filho, Sear-Jasube, com ele (Is 7:3, ARC)? Assinale a alternativa correta:

A.( ) Porque o nome do seu filho trazia uma mensagem para o rei.
B.( ) Porque Deus não queria que Isaías se sentisse sozinho.

Acaz deve ter ficado surpreso quando Isaías o cumprimentou e apresentou seu filho, chamado “Um-Resto-Volverá”. Resto ou remanescente de quem? Volverá a quê? Visto que o pai do garoto era profeta, o nome soava como uma fatídica mensagem acerca do cativeiro. Ou poderia ser que a mensagem se tratasse do retorno do povo arrependido a Deus? (o verbo “volver” também tem o significado de arrependimento). A mensagem para Acaz era: Depende de você! Afaste-se dos pecados ou vá ao cativeiro, do qual um remanescente retornará. A decisão é sua!

4. Como a mensagem de Deus resolvia a situação do rei? Is 7:4-9

A ameaça da Síria e Israel passaria, e Judá seria poupado. Potências que pareciam vulcões em erupção eram apenas “dois tocos de tições fumegantes” (Is 7:4). Não havia necessidade de Acaz pedir ajuda à Assíria.

Mas, para tomar a decisão certa, Acaz precisava confiar nas promessas do Senhor. Devia crer para permanecer (Is 7:9). As palavras para “crer” e “permanecer” são da mesma raiz hebraica, da qual também vêm a palavra que designa “verdade” (aquilo que é confiável) e a palavra “Amém” (confirmar o que é verdadeiro/confiável). Acaz precisava ter certeza para estar seguro; precisava confiar para ser confiável.

Veja a última seção de Isaías 7:9. Por que a fé e a crença são tão importantes para “permanecer”? Permanecer em quê? Como esse princípio se aplica à vida do cristão?

Outra oportunidade (Is 7:10-13)

Acaz não atendeu ao chamado de Isaías à fé. Portanto, Deus misericordiosamente deu ao rei outra oportunidade, mandando-lhe que pedisse um sinal que fosse “embaixo, nas profundezas, ou em cima, nas alturas” (Is 7:11). Esse foi um dos maiores apelos à fé já feitos a um ser humano. Diferentemente das loterias ou apostas, Deus não colocou restrições em letras miúdas. Ele nem mesmo limitou Sua oferta à metade de Seu reino, como os governantes humanos faziam quando chegavam ao limite de sua generosidade (veja Et 5:6; 7:2; Mc 6:23). O Senhor estava pronto e disposto a esgotar todo o Céu e a Terra por um rei ímpio, se tão somente ele acreditasse! Como sinal, Acaz poderia ter pedido uma montanha de ouro ou soldados tão numerosos quanto os grãos de areia do Mediterrâneo.
 

5. Por que Acaz respondeu daquela maneira? Is 7:12

À primeira vista, a resposta de Acaz parece piedosa e respeitosa. Ele não tentou a Deus, como os israelitas haviam feito séculos antes, durante sua peregrinação pelo deserto (Êx 17:2; Dt 6:16). Mas a diferença foi que Deus pediu ao rei que O provasse (compare com Ml 3:10). O ato de aceitar Sua dádiva irresistivelmente generosa O agradaria, e não tentaria Sua paciência. Mas Acaz nem sequer estava disposto a permitir que Deus o ajudasse a crer. Ele fechou e trancou a porta do coração a fim de excluir a fé.

6. Leia Isaías 7:13. O que o profeta disse nesse texto?

Isaías destacou que, quando Acaz se recusou a provar a Deus, aparentemente para evitar que Deus Se fatigasse, Acaz, na verdade, fatigou o Senhor. Mas o aspecto mais preocupante é o fato de que nesse verso Isaías usou a expressão “meu Deus”, em contraste com Isaías 7:11, em que o profeta havia pedido ao rei que pedisse um sinal do Senhor, “seu Deus”. Quando Acaz recusou a oferta divina, ele rejeitou que o Senhor fosse seu Deus. O Senhor era o Deus de Isaías, mas não de Acaz.

O que aprendemos sobre a paciência e a vontade de Deus de salvar todos? O que isso revela sobre nossa cegueira e dureza quando não nos rendemos ao Senhor? Mesmo que Deus tivesse dado a Acaz um sinal que ele desejasse, será que Acaz teria acreditado?

O sinal de um filho (Is 7:14)

A oferta de um sinal, “embaixo, nas profundezas, ou em cima, nas alturas” (Is 7:11) não persuadiu Acaz. Por isso, quando Deus declarou que Ele mesmo apresentaria um sinal (Is 7:14), nossa expectativa é que esse sinal tivesse dimensões impressionantes (Is 55:9; 1Co 2:9).

Surpresa! O sinal era um filho. Mas como poderia o fato de uma jovem ter um filho e chamá-lo de “Emanuel” ser um sinal de proporções bíblicas?

7. Quem é a mulher e seu filho?

O Antigo Testamento (AT) não mostra o cumprimento desse sinal, como indicam sinais dados a outras pessoas, como Gideão (Jz 6:36-40). Aqui estão algumas interpretações possíveis, com base no AT:

1. Como a palavra “jovem” (NTLH) se refere a uma mulher em idade de se casar, muitos pressupõem que ela fosse casada e vivesse em Jerusalém, talvez a esposa de Isaías. O capítulo 8:3 registra o nascimento de um filho do profeta com uma “profetisa” (sua esposa, cujas mensagens proféticas tratavam, pelo menos, de seus filhos; compare com Isaías 7:3; 8:18). No entanto, esse filho foi chamado de “Maer-Salal-Hás-Baz” (Is 8:1-4; ARC), não Emanuel. Os sinais dos dois meninos são semelhantes, pois, antes de chegarem à fase em que poderiam escolher o bem ou o mal, a Síria e Israel seriam devastados (Is 7:16; 8:4).

2. Alguns sugerem que Emanuel seja Ezequias, filho de Acaz, que o sucedeu no trono. Mas em nenhuma parte o nome Emanuel se aplica a Ezequias.

3. Emanuel, comumente traduzido como “Deus conosco”, refere-se à presença de Deus. Ele poderia ser o Filho especial profetizado em Isaías 9 e 11. Se esse for o caso, Sua sublime descrição como divino (Is 9:6) e “raiz de ­Jessé” (Is 11:10) supera tudo o que for atribuído até mesmo ao bom rei Ezequias.

4. Um parto de uma mulher em idade de se casar traria um filho ilegítimo, fruto da promiscuidade (Dt 22:20, 21). Por que Deus Se referiria a tal filho como sinal para inspirar fé?

Jesus é identificado como Emanuel (Mt 1:21-23), nascido miraculosamente de uma virgem solteira, mas comprometida. Ele é o Filho divino (Is 9:6; Mt 3:17), o “rebento” e a “raiz” de Jessé (Is 11:1, 10; Ap 22:16). Talvez um ­“Emanuel” anterior, cujo desenvolvimento provasse a Acaz a pontualidade da profecia, servisse como precursor de Cristo. “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher” (Gl 4:4), para nos dar Sua presença.

A vinda de Cristo à humanidade nos conforta neste mundo frio, temível e indiferente?

Deus conosco (Is 7:14)

Assim como os nomes dos filhos de Isaías (Sear-Jasube [“Um-RestoVolverá”] e Maer-Salal-Hás-Baz [“Rápido-Despojo-Presa-Segura”]), o nome “Emanuel” significa literalmente “Deus conosco”. Porém, na tradução comumente aceita, “Deus conosco”, há uma perda importante. Assim como em outros nomes hebraicos como esse que não possuem verbos, o verbo “ser” deve ser acrescentado, pois não é expresso em hebraico. Portanto, “Emanuel” deve ser traduzido como “Deus é conosco” (compare com Isaías 8:10), assim como o nome grego “Jesus” (abreviação do hebraico Yehoshua, ou Josué) significa “o Senhor é salvação”, também com o acréscimo do verbo “ser” (compare com Isaías, que significa “salvação do Senhor”).
 

Mas o nome “Emanuel” não é apenas uma descrição abstrata; é uma asseveração de uma promessa cumprida: “Deus é conosco”!

8. Qual é o significado da promessa de que Deus está conosco?

Não há garantia nem conforto mais poderosos. Deus não prometeu que Seu povo não teria dores e dificuldades, mas prometeu estar com ele. “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque Tu estás comigo; o Teu bordão e o Teu cajado me consolam” (Sl 23:4).

“Quando você passar pelas águas, Eu estarei com você; quando passar pelos rios, eles não o submergirão; quando passar pelo fogo, você não se queimará, as chamas não o atingirão” (Is 43:2).

“Onde estava o Senhor quando os babilônios jogaram os três amigos de Daniel na fornalha? Com eles! (Dn 3:23-25). E onde estava o Senhor durante o momento de angústia de Jacó, quando ele lutou até o amanhecer? Nos braços de Jacó, o mais próximo possível! (Gn 32:24-30).

“Mesmo quando o Senhor não aparecia em forma física na Terra, Ele passava pelas experiências de Seu povo com eles. Onde estava o Senhor quando a multidão condenou Estêvão? ‘Em pé à destra de Deus’ (At 7:55). Mas quando Jesus subiu ao Céu, ‘assentou-Se à direita da Majestade, nas alturas’ (Hb 1:3). Por que Ele Se levantou quando Estêvão estava em apuros, prestes a ser apedrejado até à morte? Como Morris Venden disse: ‘Jesus não ficaria sentado!’” (Roy Gane, God’s Faulty Heroes. Review and Herald, 1996, p. 66).

Que diferença faz a promessa de que “Deus é conosco” se ainda enfrentamos provações e sofrimentos terríveis? De que nos serve o conhecimento de Sua presença?

Estudo adicional

“‘ELE SERÁ CHAMADO pelo nome de Emanuel […]: Deus conosco’ (Mt 1:23). O brilho do ‘conhecimento da glória de Deus’ é visto ‘na face de Cristo’ (2Co 4:6). Desde os dias da eternidade, o Senhor Jesus Cristo era um com o Pai. Era ‘a imagem de Deus’ (v. 4), a imagem de Sua grandeza e majestade, ‘o resplendor da glória’ divina (Hb 1:3). Foi para manifestar essa glória que Ele veio ao mundo. Veio à Terra obscurecida pelo pecado para revelar a luz do amor de Deus, para ser ‘Deus conosco’. Portanto, a Seu respeito foi profetizado: ‘E Lhe chamará Emanuel’” (Is 7:14; Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 19).

“Como teria sido bom para o reino de Judá se Acaz tivesse recebido essa mensagem como vinda do Céu! No entanto, escolhendo apoiar-se no poder humano, buscou ajuda de pagãos. Em desespero, ele enviou uma mensagem a Tiglate-Pileser III, rei da Assíria: ‘Eu sou seu servo e seu filho. Venha me livrar do poder do rei da Síria e do poder do rei de Israel, que se levantam contra mim’ (2Rs 16:7). O pedido foi acompanhado de um valioso presente tirado do tesouro do rei e das reservas do templo” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 329).

Perguntas para consideração

1. Ao tomar decisões, é apropriado pedir sinais a Deus? Quais são os perigos de se fazer isso?

2. É bom ter assistência humana, mas como reconhecemos os limites dessa assistência?

3. O autor russo Leon Tolstói escreveu a um amigo o seguinte: “Uma vez que um homem tenha percebido que a morte é o fim de tudo, também não haverá nada pior do que a vida”. Como nosso conhecimento de que “Deus é conosco” responde a essa afirmação?

Resumo: Deus levou o incrédulo rei Acaz a circunstâncias nas quais ele teve que tomar decisões difíceis. Crer ou não crer, eis a questão. Embora o Senhor tivesse lhe oferecido qualquer sinal que sua imaginação pudesse conceber, o rei se recusou a permitir que Deus demonstrasse uma razão pela qual ele deveria crer. Em vez disso, ele escolheu, como seu “amigo”, o rei da Assíria.

Respostas e atividades da semana: 1. A. 2. Ele se aliou ao rei da Assíria, pedindo sua ajuda contra os reinos de Israel e da Síria. 3. A. 4. Deus enviou uma mensagem para que Acaz ficasse tranquilo, pois aquelas obras planejadas contra ele não subsistiriam. O rei poderia ficar calmo e seguro. 5. Sua resposta representa uma falsa piedade, pois ele não desejava a ajuda de Deus. 6. Que além de abusar da paciência dos homens, o rei estava abusando da paciência de Deus. 7. Há muitas interpretações para essa pergunta, porém, a que mais se aproxima da realidade é que o filho é Jesus Cristo, o Deus Encarnado, e a Sua mãe, Maria. 8. O fato de Deus estar conosco mostra que temos Alguém que compreende perfeitamente nossa situação, pois já esteve nela e ainda está ao nosso lado.

COMPLEMENTO DA LIÇÃO

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